sexta-feira, 2 de outubro de 2020

#20

Há tempos que me sinto morrendo em vida. Mas agora não consigo agir, estou totalmente estática enquanto o veneno amargo se espalha pelo meu corpo. Queria correr, ligar, pedir ajuda, gritar, mas só o que consigo é sentir esse pesar, essa vontade de não viver mais aqui.
Sinto vontade de chorar, mas não tenho forças.
Há tempos estamos distantes um do outro, e talvez por isso eu simplesmente não tenho reação. A sensação sufocante da sua ausência já permeia meus dias, ano após ano. O que sinto agora é tão difícil de descrever que eu já apaguei e reescrevi essa carta muitas vezes, em busca de palavras certas, mas nada é expressivo o suficiente. Ao mesmo tempo que me dói a alma te ver partir, as nossas cicatrizes insistem em me manter estagnada.
Me pego em uma contradição: eu digo que te amo a ponto de dar minha vida por você, mas a verdade é que não valorizo minha vida se você não estiver nela. Porque ela, sem você, não tem nenhuma razão de existir...
A principal razão de querer acabar com a minha vida é saber que ela nunca vai ser plena sem você. Eu sinto que nunca vai ter um dia sequer que eu não prefira ficar perto de você, mesmo que num sonho eterno. Nunca vai ter algo que eu não faça por você. Nunca vou deixar de fazer as minhas coisas pensando em você. Eu nunca vou me acostumar com a ideia de que estou me tornando uma pessoa melhor, mas não será pra você.
Essa insistência em negar sua partida da minha vida, agora, bate de frente com a realidade de você indo embora de novo. Isso me faz sentir partindo em milhões de pedacinhos. Eu me sinto dividida, não consigo pensar se devo seguir meu propósito de te deixar viver a sua vida e não te incomodar nunca mais ou se devo te mostrar tudo que sinto. E acho que a única coisa que me dá orgulho nesse momento é que eu sinto que amadureci meu sentimento por você a ponto de refrear meus impulsos simplesmente pra não te fazer mal. Eu seria capaz de suportar a rejeição, posso carregar toda a dor da sua ausência, mas não suportaria te fazer sentir qualquer coisa ruim de novo.
Tem uma faisquinha de esperança dentro de mim que insiste que nos encontraremos, não importa quanto tempo leve. Talvez até lá eu consiga encontrar um sentido pra vida, talvez consiga me amar um pouquinho mais, mas de uma coisa eu tenho certeza... Eu nunca vou conseguir sentir algo mais sólido, intenso e profundo do que o amor que sinto por você.
"People die, but the real love is forever"

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Miss u

Há dias eu tô ensaiando pra escrever algo bonitinho ou que consiga expressar pelo menos um pouquinho do que tem na minha cabeça, mas acho que perdi a habilidade da escrita tanto quanto a da fala, então vai na força da simplicidade mesmo.
Eu sinto tanto sua falta :(
Tô passando por umas coisas diferentes, descobertas e redescobertas, tanta coisa que eu queria dividir com você, mas estamos tão longe... E, honestamente, eu não me sinto digna de tentar me aproximar...
Eu me sinto muito triste quando penso no rumo que tomou nossa amizade. Vendo o passado, me sinto culpada, é como se você tivesse sido por tanto tempo meu amigo, mas eu nunca consegui retribuir, me corrói perceber que eu nunca consegui ouvir seus silêncios... E mesmo quando senti estar te perdendo, não tive força, maturidade e coragem de lutar pra te manter aqui.
Infelizmente não é algo que eu possa mudar da noite pro dia, e eu nem sei se eu sou capaz, e nem sei se você me aceitaria de novo na sua vida, então eu te escrevo tão somente pra dizer o que eu devia ter dito em qualquer outra conversa casual, mas não disse...
Sou infinitamente grata por todas as vezes que você me ouviu sem me julgar, mas também pelas vezes que você me questionou e as bateu de frente, pra que eu fosse uma pessoa melhor. Mesmo tão longe eu continuo te admirando e te amando, e por mais que eu saiba meu carinho seja algo de pouco valor, você o tem por completo.
Eu não exitaria em dar minha vida por você. Obrigada por ter me dado chance de um dia ter feito parte da sua vida.
Não precisa se preocupar em responder, eu só queria mesmo que vc soubesse o bem que me fez. Eu te amo.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

#18

Então sinto os dedos da morte gentilmente cercando meu pescoço, fecho os olhos e suspiro, grata por finalmente me sentir tão perto dela. Carregar a vida é perturbador, é pesado, é inútil pra mim.
Já não quero estar mais entre vocês, que brincam de viver e sorrir. Quero entregar-me ao nada que sou, não sentir, não ver. Não sei o que há antes ou após essa vida, mas me contento com o simples estado de não estar.
Outrora quis morrer pra acabar com a dor, mas não agora. Me sinto anestesiada, sem vontade, eu realmente não quero estar aqui e não tem um só segundo em que não pense em descansar nos braços gelados dela.
Estou cansada.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Canção

Queria eu não ter sido a menina que viveu para escrever canções de amor. Queria ter sido a estudante, a profissional, a filha, a mulher... Queria ter vivido uma vida, não tão somente carregar uma existência sem razão de ser. Queria ter conseguido ser uma pessoa completa.
Eu tentei.
Hoje, aqui, de olhos fechados, pude ouvir o som do mar. Mas do calor que outrora me abraçava não resta nada, agora somente sinto o vento gélido passar por mim, me fazendo estremecer. Abro os olhos e me vejo aqui, de novo nessa ponte, tão perto do fim. Essa noite o céu está límpido, as estrelas assistindo o desenrolar e discutindo entre si qual será o desfecho dessa história. Me sinto entorpecida, e já não sei se tem algo a ver com a garrafa vazia que está caída aqui aos meus pés ou se é pela dor que tantas vezes me matou em vida. Mas agora, diferente de ontem, sinto paz.
Ah, os momentos felizes... Me lembro deles também, os  instantes pelos quais valeu a pena estar viva. Queria eu que não tivessem sido tão breves, queria eu que as canções de amor fossem o espelho de uma vida feliz. Mas você foi embora.
Me consome pensar que tudo poderia ser diferente, que eu poderia ter feito mais, que poderia ter sido melhor, que eu poderia ter impedido que você se fosse, mesmo que tenha feito isso por querer te ver feliz. Será que algo teria mudado? Será que eu ainda seria a menina das canções de amor se nunca tivesse te encontrado?
Hoje vou embora, e essas perguntas se vão comigo.
Nesses poucos minutos que me restam, fecho os olhos e imagino seus olhos uma última vez. Minha imaginação percorre cada centímetro do seu corpo, e sei que esta é a última memória que quero levar comigo. Então eu finalmente salto.
Queria eu que fosse para os seus braços.
Queria eu poder ter ouvido dos seus lábios uma última canção de amor.

terça-feira, 21 de julho de 2020

¿Estuve mirando a tus ojos?

Outra vez estou aqui, praticamente rendida aos seus pés. Exijo que me olhe enquanto falo, você sorri sarcasticamente, e diz que nada que eu tenho a dizer te interessa. Em desespero, te digo que preciso aclarar a situação, que já não posso seguir com essa tormenta na minha cabeça, estou atordoada. Então você finalmente me olha, como quem sente o sabor da vingança, e seus olhos queimam de satisfação, abaixo os meus, não posso sustentar. Você me diz que jamais quer voltar a me ver, que eu fui um erro, o pior dos erros. Que se arrepende de um dia ter se aproximado e que sua maior conquista foi ter me arrancado da sua cabeça. Suas palavras me soam como gritos embebidos no mais amargo rancor e, estranhamente, não vejo outra opção senão me afogar neste amargor. Ergo meus olhos novamente e sou surpreendida pelos seus, fixos em mim e escondidos atrás de ódio e lágrimas presas. Eu já vi esses olhos antes, posso sentir o mesmo que você sente agora. Talvez você tenha percebido que ainda não pode me odiar, o que te faz me odiar ainda mais. Te digo então que te entendo, ao que você se aproxima intempestivamente e puxa meu corpo contra o seu. Agora nossos rostos estão à centímetros de distância, sinto sua respiração e me fixo no seu olhar, ainda turvo de lágrimas, que me encaram como se você estivesse a beira da loucura. Você nega com a cabeça desesperadamente e me diz em meio a um riso insano que não, eu não te entendo, que nada do que eu possa sentir algum dia se compara ao que você está sentindo nesse exato momento. Então, sem tirar os olhos dos seus, percebo meu destino. Sinto a ponta de um punhal tocar a pele das minhas costas. Fecho os olhos, respiro profundamente, volto a encarar os seus e te digo que estou pronta para o meu destino, mas que infelizmente você não faz parte dele. Então, em um movimento rápido que sequer sabia que seria capaz de fazer, me viro e retiro o punhal de sua mão. Então você me observa, atônito, enquanto eu te digo que você não terá meu sangue em suas mãos, ao mesmo tempo que me deleito em deslizar a ponta do punhal pelo meu rosto, pescoço, colo, até chegar ao peito. Então vejo que uma lágrima finalmente te escapa em meio a um sorriso triste. Você diz que te surpreendi de novo, que agora eu tenho alguma chance de te entender e que, mesmo vendo minha vida se esvair afogada no meu sangue, sabe que o que sinto por você é capaz de superar até a morte.