quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Nem eu sei


Talvez essa seja a mais difícil carta que eu possa ter escrito, mas com certeza é a mais concreta. É a que posso dizer que não vem de um impulso de emoção ou desabafo, mas de uma reflexão que me consumiu dias e noites e que até me fez (logo eu) cogitar falar pessoalmente, tamanha a relevância que a atribuo.
Estive refletindo sobre você. Não como um velho poema de amor e dor, mas de forma técnica, com o conhecimento (ainda não tão vasto) que adquiri em estudos somado ao que conheci da sua vida, e acredito ter encontrado uma resposta que você e eu buscamos outrora.
Na sua vida, o abandono foi sempre presente. Começou (ou não) com seu pai, depois sua mãe, e você, como criança inocente, não compreendia direito o porquê daquilo. Pode ser que não tenha um sentimento de importância, mas acredite, isso marca.
Com essa coisa de viajar pra um lado e outro perdeu amigos, não tem uma base tão enraizada, não tem os chamados "amigos de infância", não há uma visão de que pessoas são permanentes.
Aí sua avó partiu, e me recordo que você estava triste por que ela havia "desistido de lutar", o que pode ser lido como um tipo de abandono.
Aí tiveram as novas decepções com a mãe, as tias, seu amigo e a mãe... E tive eu.
Apesar da nossa percepção, somos muito mais do que vemos, o inconsciente tá aí pra nos massacrar pelo que queremos esquecer. E é aí que acho que mora o problema.
Suas cicatrizes, que você provavelmente acha que não existem, são o que tem te levado por caminhos tão tortuosos. Esse lance do abandono mexeu tanto com a sua estrutura que inconscientemente você cria motivos pra ser abandonado, já que cansou de ser sem ter culpa. E é isso que me trouxe a grande luz, uma possível explicação ao nosso vínculo.
Eu errei muito com você, você errou muito comigo, mas mesmo assim eu era a pessoa pra quem você sempre podia voltar, porque eu nunca consegui te abandonar de verdade. Não que eu esteja duvidando que houve algum sentimento algum dia, mas vejo que em algum momento esse sentimento foi engolido pelo desgosto, e em seu lugar ficava o sentimento de satisfação do ego, você chamava de físico, mas eu sempre soube que tinha algo mais. Só recentemente tive a elucidação que esse "algo mais" podia não ter a ver comigo, mas com você mesmo.
Além disso, sua relação com as pessoas do seu passado, de modo geral, passou a ser superficial, como se você não quisesse descartá-las, mas também não há a mesma solidez de antes nestas relações. Você acha que as pessoas nunca mudam, mas isso só reflete a sua condição, preso entre cicatrizes que não doem mais.
Enfim... É claro que eu nem te conheço mais e certamente posso ter me equivocado em certos aspectos dessa análise, mas uma coisa de que não me engano é que um acompanhamento psicológico te faria crescer muito. Pelos anos que te acompanhei, sua mente era uma bagunça psíquica de traumas, e só hoje tenho clareza de que é isso que atrapalha seu desenvolvimento em todos os aspectos da sua vida. Pôr isso em ordem pode te ajudar a destravar áreas que não vão pra frente por "motivo nenhum", porque sei que potencial você tem.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

sábado, 13 de abril de 2019

#13

Hoje eu sonhei com aquele que poderia ter sido nosso primeiro encontro. Estava tudo exatamente igual, e tudo aconteceu exatamente como antes. Seria isso um sinal? Sinal de que, independente de quanto tempo passe, as coisas sempre vão acontecer da mesma forma? Ou será que é um modo que minha mente encontrou de dizer que estamos há tanto tempo agindo do mesmo jeito?